A curiosidade destrói a desinformação.

Atualizado: 13 de jun.
O ser humano nasce curioso e aqueles que nos rodeiam tendem a ser o nosso primeiro contacto com o conhecimento. Aprendemos através da experiência e no contacto com outros similares e outros diferentes de nós. Todos nós ganhamos algo com as interações que temos ao longo da vida, no mínimo, ganhamos novas incertezas.
Da nossa família herdamos características físicas e psicológicas, costumes e tradições, por vezes, valores e crenças. O ser humano é naturalmente curioso contudo, muito facilmente se torna confortável a viver através das crenças dos outros. Por esta mesma razão acredito que a curiosidade salva vidas.
O Michael Jackson era o homem mais racista do mundo, mas depois de uma pesquisa rápida descobrimos que afinal tinha vitiligo. No inicio, fumar era um hábito sem qualquer implicação nefasta para a saúde, porém hoje está considerado um dos grandes potencializadores dos mais variados cancros e doenças cardiovasculares. Todos sabemos que o chocolate é um ingrediente premium que é de difícil colheita, seleção e tratamento, contudo, a grande maioria dos chocolates que estamos habituados a comprar nos supermercados têm cada vez menos cacao e mais produtos criados em laboratório
Por vezes, certas frases são repetidas tantas vezes, por tantas pessoas que se tornam realidade. Ou seja, certas verdades só o são porque ainda não tivemos a coragem de as questionar.
Alberto Caeiro dizia: "Pensar é estar doente dos olhos." E bem, eu acredito que não questionar é estar doente de tudo.
Hoje em dia estamos rodeados de informações por todo o lado, e todos os segundos que passam, somos sujeitos a uma nova noticia. Inicialmente, a Imprensa lucrava com a venda de revistas e jornais, com artigos bem construídos e com a sua reputação de veracidade. Nos dias que correm, o algoritmo aplicado nas redes sociais é o que dita quais informações o consumidor terá acesso preferencialmente, dado que, tempo do consumidor é a moeda mais valiosa. O algoritmo apresenta ao consumidor os conteúdos com base nas informações que recolhe do mesmo, e de acordo com os objetivos, seja de prender a atenção do consumidor ou forçar uma reação, positiva ou negativa do mesmo. O tempo nunca foi algo tão valioso. Talvez por isso a geração que nasceu na era digital reinventou a revolta e tornou-a rentável, ou seja, o rage bait.
Acredito que os meus avós não imaginassem que um dia as pessoas seriam capazes de viver, e muito bem, de vídeos que colocam na internet. Aliás até para mim, que nasci no final dos anos 90, a ideia continua a surpreender-me porque como profissão, a criação de conteúdos não conhece muitos limites. Infelizmente tem um grande senão...estão dependentes daquele tal algoritmo que pode jogar a favor ou contra o conteúdo que produzem.
A verdade fica em segundo plano quando o objetivo é obter o máximo de visualizações possíveis.
Talvez também por este motivo, o termo fake news tornou-se um dos mais utilizados da nossa geração. O simples ato de navegar na internet, possuir redes sociais, ler noticias implica verificar o que se está a ler e a partilhar.
Com a introdução da IA neste ramo é muito mais fácil criar e alterar imagens, vídeos ou vozes, até mesmo em tempo real. Tal como aconteceu na pandemia Covid-19, a desinformação provoca caos, danos e cria medos que seriam evitáveis. No caso da pandemia a desinformação custou vidas.
A curiosidade é por isso uma arma infalível. Primeiramente, uma mente curiosa é infinitamente mais interessante. Em segundo lugar, uma mente capaz de questionar tudo é capaz de evoluir em todos os sentidos. Mas por último, a curiosidade permite à pessoa questionar a veracidade das informações que lhe são transmitidas, através da procura dos factos verdadeiros e de demonstrações dos factos. Questionar não significa desconfiar de tudo e de todos os que nos rodeiam. Pelo contrário, questionar é procurar as informações necessárias de modo a confiar que tomamos as decisões corretas de acordo com os nossos conhecimentos e valores.
A curiosidade é uma das mais valiosas ferramentas que podemos ter.
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